quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Legado: o que deixar para as futuras gerações?

 
Nos tempos gloriosos da Grécia antiga, época de batalhas ferozes e grandes lutas pelo poder, o homem, entre tantas filosofias, buscava eternalizar os seus feitos através do próprio nome. Nesse período, as vitórias estavam respaldadas no legado, no que cada um deixaria para posteridade. Por isso que até hoje muitas ideias, pensamentos e comportamentos desse povo são copiados, difundidos e vistos como modelo de inteligência, honradez e sabedoria. Esta gama de qualidades que, na atualidade, infelizmente tem se perdido. O homem de hoje, individualista e vitima do dragão do consumismo, não desfruta dessa mesma ideologia. Presos aos padrões ditados pela sociedade moderna, ele pouco tem se preocupado com o futuro das próximas gerações, destruindo paulatinamente sua própria espécie, seu habitat, e lamentavelmente o seu caráter.
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A sociedade atual está semeando um futuro sem consciência ambiental, do qual a natureza não é vista como protagonista. O meu ambiente é a maior prova desse desrespeito à vida, no sentido amplo da palavra. Mesmo com as declarações feitas por especialistas da área, a humanidade não se conscientizou de que o equilíbrio entre homem e natureza é essencial para a manutenção da vida na terra. Enquanto essa conscientização não é despertada, a poluição cresce a cada dia, as florestas continuam sendo devastadas, a lista dos animais em extinção, ou perto dela, cresce no mesmo ritmo e a mãe natureza, impiedosamente devolve todo esse descaso em forma de chuvas, vendavais, tsunamis, enchentes, calor ou frio excessivo. O discurso de sustentabilidade, sozinho, não vai resolver essa problemática, se antes disso a humanidade não encarar, com maturidade, a culpa pelos danos causados e tentar solucioná-los enquanto ainda há tempo.

A educação também passa por esse processo destrutivo. A sociedade vai deixar por muitas gerações pessoas alienadas, que leem pouco e por isso pensam na mesma medida, e quando pensam. Muitos jovens vão se tornar adultos semialfabetizados, incapazes de raciocinar criticamente sobre a realidade circundante, consequentemente sem a mínima chance de mudar o quadro de desigualdade que fomenta tantos problemas sociais, dentre eles a violência, sua parceira inseparável. Em muitos países, como o Brasil, esse quadro toma dimensões catastróficas. Muitas melhorias foram evidentemente realizadas, como ampliação de escolas, contratação de novos profissionais e muitas crianças, que antes não tinham acesso ao processo educacional, podem contar hoje com a difusão das instituições e de projetos nesse sentido, mesmo em partes bem longínquas do país. No entanto, falta qualidade nesse ensino. Os professores não são bem remunerados, os alunos, por sua vez, não recebem um ensino que privilegie a autonomia e a reflexão do mundo. Na verdade, não se educa para ser, se educa para ter, ter dinheiro, casa, carro, um corpo sarado, já que a escola se tornou difusora das exigências sociais.

O homem de hoje deixará para a posteridade uma sociedade de velhos. Sinônimo de experiência e sabedoria, os idosos se proliferam em todo o mundo, principalmente em países “desenvolvidos” como o Brasil, onde a qualidade de vida deles tem melhorado consideravelmente. “Vive-se mais e melhor”, é a frase dita por muitos especialistas ultimamente. No entanto, mesmo com ampla perspectiva de vida, muitos idosos não são respeitados como deveriam. Eles enfrentam o estigma da beleza, dos corpos sarados e da velhice cirúrgica, a qual retarda marcas e cria verdadeiros fantoches, “Peters Pans” nessa terra do nunca. Também sofrem com o rótulo da incompetência, da inutilidade, como se fossem máquinas que devem ser descartadas quando ficam envelhecidas. Quando são pobres ainda é pior, pois além de tudo isso eles tentam enfrentar a vida recebendo a esmola do governo, em forma de aposentadoria.

Também deixaremos como legado relações destruídas. Pais que não dialogam com filhos sobre amores, drogas, sexo, orientando-os para uma vida saudável e de respeito. Casais com casamentos não duráveis, ora por imaturidade de alguma das partes, ora pela violência, pelo desrespeito e pela falta de cumplicidade. Muita permissividade e pouco controle de pais sobre filhos, já que impor limites na modernidade é sinônimo de caretice. Resultado disso são jovens rebeldes, infantis, mimados, despreparados para sobreviverem sozinhos nesse mundo tão individual como nosso. Nesse ciclo, vão sendo criadas pessoas que não vão respeitar as diferenças e que possivelmente vão alimentar a fome voraz da violência, a qual nem sempre nasce em berços miseráveis economicamente, mas sim na barriga da ignorância, da falta de rédeas, e da ausência de autoridade, estas ferramentas fundamentais para a formação do caráter humano.

Ficará para as futuras gerações uma sociedade de vícios. Hoje nós bebemos compulsivamente e, às vezes, saímos em alta velocidade, num misto de suicídio e assassinato. Como se não bastasse, usamos drogas cada vez mais potentes, na tentativa de fugir da realidade da qual nós mesmos criamos. O homem atual trabalha mais e dorme menos, já que “tempo é dinheiro”, ele não pode perdê-lo com aquela cesta da tarde, tão saudável para o funcionamento do corpo e da mente. Ele também não contempla as belezas que estão a sua volta, o ar, o sol, a lua, o céu, a dádiva de estar vivo, de ver a família unida e com saúde. Essas singelezas são imperceptíveis para ele, uma vez que o imediatismo, a pressa, o consumo, o ter são as palavras que impulsionam a sua rotina, tirando dele a mínima possibilidade, e sensibilidade, de parar e contemplar o mundo e as pessoas ao redor.

A geração do amanhã estará em contato com um mundo cada vez mais tecnológico. De fato, o advento da internet trouxe mudanças definitivas na vida de todos, sejam elas positivas ou negativas. Proporcionando o prolongamento do pensar, em muitos casos, o mundo virtual é usado erroneamente por pessoas que preferem encontrar modelos prontos para tudo, estagnando a própria criatividade e a capacidade de elaboração. Não mais é preciso parar para pensar, mas sim parar para teclar. Com apenas alguns cliques o mundo todo está ao alcance de todos e muitas vezes esse domínio, em mãos erradas, pode trazer prejuízos incontáveis e infindáveis. Mais “Ipads”, “Ipods” e “Tablets”, alimentando a fome do consumismo, e menos controle na navegação, sobretudo com os jovens, grupo este vulnerável aos ataques de pessoas maledicentes e oportunistas. Assim, crescem as manifestações de intolerância, a dependência às redes sociais e o mundo virtual torna-se uma rota de fuga para o individuo contemporâneo, onde seus anseios, desejos e frustrações podem ser resolvidos com a ilimitada capacidade de navegação desse veículo.

Esse é o legado do homem atual para as futuras gerações. Uma sociedade consumista, individualista, com relações fugidias, paixões efêmeras, frivolidades, apelo ao supérfluo e desrespeito ao semelhante. Pessoas que nascem vazias e vão sendo esvaziadas pela falta de autoconhecimento, pela ignorância e pela carência de oportunidades. Numa passagem tão rápida pela terra, o homem moderno se preocupa mais com a construção de grandes prédios, pontes e cidades megalomaníacas, do que com a elaboração de projetos que dizimem a fome do planeta, a violência contra as minorias, à desigualdade da qual cria diferenças subumanas e em manter a salvo a natureza, termômetro vivo da existência humana.
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Ao invés de criar armas destrutivas, incitar guerras, propagar a intolerância, alimentar preconceitos vãos e insistir em discriminar os nossos semelhantes, devemos nos preocupar com a construção de um mundo mais acolhedor e pacífico, onde todos terão os mesmos direitos e deveres. Portanto, querer a paz total é algo infelizmente inalcançável, mas desejar um mundo com menos sofrimento, desigualdades e desrespeito deve ser o legado de todos. As mesmas mãos que são capazes de destruir, ferir, julgar e matar, também são hábeis em reconstruir, para melhor, todo esse mar de sangue do qual mergulhamos o nosso caráter com falsas ideologias e comportamentos animalescos. Transformar o presente, com pequenos gestos, mas repletos de grandes atitudes e sentimentos, é legar para as futuras gerações uma filosofia menos egoísta e mais centrada na união.
 
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Visto no Ser Feliz é Ser Livre do amigo Diego Didier.


sábado, 4 de fevereiro de 2012

Preciso de uma hospedagem solidária em Florianópolis


Amigos blogueiros vou participar do Fórum Mundial de Educação Profissional e Tecnológica e por isso, estou aqui para pedir a ajuda de vocês, se possível é claro. Preciso de uma hospedagem solidária durante uma semana em Florianópolis, alguém pode me ajudar?
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Alguém pode hospedar um estudante baiano?

O fórum um movimento pela cidadania e pelo direito universal à educação que busca levantar propostas que integrem a plataforma mundial de educação. A primeira edição do FMEPT foi realizada em 2009, em Brasília. Para a segunda edição do Fórum, a cidade de Florianópolis– capital do estado de Santa Catarina - foi escolhida para sediar o evento que será realizado de 28 de maio a 1º de junho de 2012.
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sábado, 28 de janeiro de 2012

Positividade sempre...



Mantenha seus pensamentos positivos, porque seus pensamentos tornam-se suas palavras.
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Mantenha suas palavras positivas, porque suas palavras tornam-se suas atitudes.
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Mantenha suas atitudes positivas, porque suas atitudes tornam-se seus hábitos.
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Mantenha seus hábitos positivos, porque seus hábitos tornam-se seus valores.
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Mantenha seus valores positivos, porque seus valores tornam-se seu destino.
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[Mahatma Ghandi]

sábado, 26 de novembro de 2011

Justiça é Direito de Barro Preto-Ba



Em defesa a permanência da Comarca de Barro Preto-Bahia, a Sociedade Civil do município se reuniu para organizar uma mobilização contra a agregação do Fórum de Barro Preto ao Fórum do município de Itabuna. No próximo dia 6 de Dezembro, terça-feira, pela manhã, a comunidade fechará a BR 101 como forma de protesto.
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Retirar o Fórum do município trará grandes malefícios à comunidade como: o retardamento da resolução dos processos; a necessidade do deslocamento para o Fórum de Itabuna, implicando em gastos de transporte, enfrentamento de filas e tempo limitado ao horário de ônibus. Além disso, sobrecarregará o fórum do município de Itabuna, dificultando ainda mais o andamento dos processos de ambas as cidades, e que já são inúmeros.
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Pior! Sem a Comarca, haverá também, a possibilidade de perder a Delegacia de Polícia, deixando o município frágil e vulnerável à violência, aos assaltos e ao tráfico de drogas. No momento, Exmo. Sr. Juiz da Comarca de Barro Preto, Dr. Eros Cavalcante está realizando um trabalho intenso contra o tráfico no município que tem envolvido muitas crianças e adolescentes. O município tem acesso fácil às rodovias BR 101 e BR 416 que deixam o município aberto à entrada das drogas e sem a presença da justiça, o município estará entregue à violência.
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A reunião teve a presença de autoridades e representantes de vários segmentos da sociedade como: prefeito, assessores, servidores públicos, professores, comerciantes, vereadores e lideres políticos da situação e oposição que se comprometeram dar segmento no protesto em prol da manutenção do Fórum e a mobilizar a comunidade para a ação.
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Desativar a Comarca? Não. Que justiça é essa? Justiça é direito de Barro Preto! Por isso, no dia 06 de Dezembro, toda a comunidade estará junta nesta causa!
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[texto produzido por Alana Andrade]
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P.S. Peço a todos os amigos blogueiros que compartilhem essa postagem em seus blogs ou facebook, para que possa ter a maior visibilidade possível. Conto com apoio de vocês. 



domingo, 20 de novembro de 2011

Maria Bethânia interpreta Chico Buarque





Desde que pisou profissionalmente no palco pela primeira vez, em 1965, aos 18 anos, Maria Bethânia se firmou como a mais autoral das cantoras brasileiras e não parou de escrever para si uma trajetória singular na história da MPB. Ao longo de 45 anos de trabalho, conseguiu conciliar de forma magistral atributos aparentemente inconciliáveis: reverência ao passado e ousadia; independência artística e sucesso comercial; sofisticação e apelo popular. Foi a primeira mulher a vender um milhão de discos no país. Nunca se atrelou a movimentos, jamais se submeteu à pressão de gravadoras e sempre navegou na contramão do mercado. Tudo isso lhe garantiu uma carreira imaculada, que atravessa as décadas angariando a admiração fiel do público e da critica.
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Mais do que cantora, Maria Bethânia sempre gostou de se definir como intérprete. E com justa razão. Ela deu origem a uma linhagem de cantoras que, por força de sua interpretação, tornam-se quase co-autoras das canções que passam por suas vozes. E pelo timbre grave e dramático de Bethânia já passou, e continua a passar, o melhor da música brasileira.
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Entretanto, de todos os compositores que interpretou, nenhum ganhou mais sentido na sua voz do que Chico Buarque. Sem falsa modéstia, e com aval do próprio compositor, Bethânia costuma se dizer sua melhor intérprete. E não é para menos: em quase cinco décadas de carreira, já interpretou mais de cinqüenta de suas canções.
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Esta primeira série de shows – sempre apresentados em dias consecutivos – começa em Curitiba (Teatro Guaíra, de 18 a 20 de novembro) e depois segue para São Paulo (Via Funchal, de 21 a 23 de novembro), Ribeirão Preto (Teatro Pedro II, de 6 a 8 de dezembro), Goiânia (Teatro Rio Vermelho, de 16 a 18 de dezembro) e Recife (Teatro Guararapes, de 18 a 20 de janeiro).
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quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Um cálculo errado do amor



Eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente.
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[Clarice Lispector]

sábado, 29 de outubro de 2011

Poesia inflamada sobre Bethânia arde em bela reedição de livro guerreiro


Resenha de reedição de livro
Título: Maria Bethânia Guerreira Guerrilha
Autor: Reynaldo Jardim
Editora: Mobile / Debê Produções
Ano da edição original: 1968
Ano da reedição: 2011
Cotação: * * * *
       
É o travo nos dentes
Guerreira
É o trevo das coxas
Guerrilha
É o grito no canto
Guerreira
É o canto de guerra
Guerrilha
É o roxo acalanto
Guerreira
É o perdão de joelho
Guerrilha 

O trecho do poema polifônico Maria Bethânia Guerreira Guerrilha indica o ponto de fervura com que  o poeta Reynaldo Jardim (1926 - 2011) escreveu os versos editados em livro lançado originalmente em 28 de novembro de 1968, duas semanas antes da promulgação do Ato Institucional nº 5. Até então título de colecionador, disputado a tapas e preços exorbitantes em sebos, o livro-poema está de volta à cena em reedição luxuosa produzida sob a organização de Marcio Debelian e Ramon Mello. Subversivo no conteúdo e na forma (Jardim transpôs o conceito musical de polifonia para o universo da poesia ao estruturar seus versos inflamados com fontes, sonoridades e tempos diversos), o longo poema Maria Bethânia Guerreira Guerrilha ocupa todo o livro original e, por si só, já justifica a reposição em catálogo desse livro perseguido pela censura dos anos mais rebeldes do regime militar instaurado à força no Brasil em 1964. Inspirado pela histórica interpretação de Carcará (João do Vale e José Cândido) apresentada por Bethânia no espetáculo Opinião em 1965, Jardim concebeu poema em chamas que traduz a incendiária força dramática do canto da intérprete ao mesmo tempo em que espalha as labaredas do inconformismo dos mais valentes contra a mordaça oficial que asfixiava as liberdades - sobretudo a de expressão - naquele ano de 1968 que parece não ter terminado a julgar pela repressão e pelo patrulhamento ainda detectados no Brasil de 2011. Talvez por isso o livro de Jardim tenha tido sua primeira edição destruída em sua quase totalidade pelo regime opressor da época. Através de Bethânia, rotulada à revelia como cantora de protesto por conta do voo alto de seu Carcará, Jardim fez ressoar pela poesia o seu canto de guerra. Os versos incandescentes de Maria Bethânia Guerreira Guerrilha ainda queimam a língua de quem se curva face aos podres poderes, mas aquecem a alma dos que se levantam contra os desmandos, dos que se jogam sem rede de proteção. Altiva desde sempre, Maria Bethânia jamais se curvou, impondo desde sempre a personalidade forte de seu canto e de sua alma embebida em teatro e poesia - traço que fica nítido na leitura do caloroso perfil sobre a intérprete, publicado na revista Visão de 30 de novembro de 1967 e reproduzido na reedição de Maria Bethânia Guerreira Guerrilha ao lado de artigo do jornal O Sol sobre a cantora, de depoimento de Jardim sobre a saga heroica do livro - fala transcrita do curta-metragem Profana Via Sacra(Alisson Sbrana, 2010) - e da partitura de Gaivota, tema musicado por Lourdes Ábido a partir de alguns versos do poema que ora volta à cena, quase tão ardente quanto naquele inflamado ano de 1968, nesta oportuna reedição do guerreiro livro.
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Visto no blog Notas Musicais do amigo Mauro Ferreira.
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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Que sociedade queremos?




O problema maior que enfrentamos nos dias de hoje é saber o tipo de sociedade que queremos, se movida por interesses, ou se movida por valores. Se queremos uma sociedade solidária e fraterna, ou uma sociedade egoísta, do salve-se quem puder. Sabemos que uma sociedade muito desigual acaba gerando a decadência social. Afrouxam-se os princípios éticos. Passa-se a aceitar tudo o que interessa ao individualismo e a rejeitar tudo o que o prejudica.
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[Adib Jatene] 
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Foto: encontrada aqui

terça-feira, 25 de outubro de 2011

STJ autoriza casamento gay para casal de gaúchas



O Superior Tribunal de Justiça (STJ) reconheceu, em julgamento concluído nesta terça-feira (25), o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Quatro dos cinco ministros da quarta turma do tribunal decidiram autorizar o casamento de um casal de gaúchas que vivem juntas há cinco anos e desejam mudar o estado civil.
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A decisão que beneficia o casal gaúcho não pode ser aplicada a outros casos, porém abre precedente para que tribunais de instâncias inferiores ou até mesmo cartórios adotem posição semelhante.
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Foi a primeira vez que o STJ admitiu o casamento gay. Outros casais já haviam conseguido se casar em âmbito civil em instâncias inferiores da Justiça. Neste caso, porém, o pedido chegou ao STJ porque foi rejeitado por um cartório e pelo Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul.
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O primeiro casamento civil no país ocorreu no final de junho, quando um casal de Jacareí (SP) obteve autorização de um juiz para converter a união estável em casamento civil.
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O julgamento se iniciou na semana passada, com a maioria dos votos favoráveis à causa. A sessão, no entanto, foi interrompida por um pedido de vista do ministro Marco Aurélio Buzzi, o último a proferir seu voto. Em seu voto nesta terça, ele seguiu o relator do processo, em favor do casamento.
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Buzzi destacou que o Código Civil, que disciplina o casamento entre heterossexuais, "em nenhum momento" proíbe "pessoas de mesmo sexo a contrair casamento".
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"O núcleo de pessoas surgido de casais homossexuais se constitui, sim, em família. De outro lado, o casamento [...] constitui-se o instrumento jurídico principal a conferir segurança aos vínculos e deveres conjugais", declarou.
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Apenas o ministro Raul Araújo Filho, que havia se manifestado a favor na primeira parte do julgamento, mudou seu voto, contra o casamento. Ele afirmou que não cabe ao STJ analisar o caso, mas sim ao STF. Argumentou ainda que o casamento civil não é um mero "acessório" da união civil.
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"Não estamos meramente aplicando efeito vinculante da decisão do STF, mas sim dando a decisão um interpretação que não podemos fazer", alegou.
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Pedido
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O casal entrou com o pedido de casamento civil antes mesmo da decisão do Supremo Tribunal Federal, em maio deste ano, que equiparou a relação homoafetiva à união estável. A identidade de ambas não pode ser revelada porque o processo tramita em segredo de Justiça.
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Elas pediram em cartório o registro do casamento e, diante da recusa, resolveram entrar na Justiça. Mas o Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul julgou improcedente a ação, o que levou as gaúchas a recorrerem ao STJ.
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Ao reconhecer a união estável entre pessoas do mesmo sexo, em maio deste ano, o STF deixou em aberto a possibilidade de casamento, o que provocou decisões desencontradas de juízes de primeira instância.
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Há diferenças entre união estável e casamento civil. A primeira acontece sem formalidades, de forma natural, a partir da convivência do casal. O segundo é um contrato jurídico-formal estabelecido entre duas pessoas.
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Julgamento
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Na semana passada, o relator do processo, Luis Felipe Salomão, foi favorável ao pedido das gaúchas e reconheceu que o casamento civil é a forma mais segura, segundo ele, de se garantir os direitos de uma família.
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"Se é verdade que o casamento civil melhor protege a família e sendo múltiplos os arranjos familiares, não há de se discriminar qualquer família que dele optar, uma vez que as famílias constituídas por casais homossexuais possuem o mesmo núcleo axiológico das famílias formadas por casais heterossexuais", disse em seu voto.
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O advogado do casal, Paulo Roberto Iotti Vecchiatt, sustentou que, no direito privado, o que não é expressamente proibido, é permitido. Ou seja, o casamento estaria autorizado porque não é proibido por lei.
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Para Vecchiatti, o essencial de qualquer relação amorosa é "formar uma família conjugal, cuja base é o amor familiar". "A condição de existência do casamento civil seria a família conjugal e não a variedade de sexos", argumentou.
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domingo, 23 de outubro de 2011

Eu voltei...


Eu voltei agora é pra ficar
Por que aqui,aqui é o meu lugar
Eu voltei pras coisas que eu deixei.
[O Portão, Roberto e Erasmo]


Olá pessoal,
Depois de um mês distante do blog, retorno agora pra ficar. Tirei um tempo para estudar para seleção de um concurso púbico e logo após, tentei entrar no blog mas a página estava apresentando erro sempre e outras pessoas que acessam também informaram que estava verificando o mesmo problema...Então bateu aquela desespero, pois achei que tinha perdido o blog. Mas graças a DEUS está tudo certinho novamente.Estou com muitas saudades de todos os blogs e por isso, vou tentar vistar todos hoje mesmo.


Abraços.


A linha tênue entre o Certo e o Errado


A história do Brasil é marcada de eventos marcantes que foram cruciais para a formação da pátria tal qual a conhecemos hoje. Nessa trajetória, muitos erros foram cometidos no passado, para que no presente e, consequentemente no futuro, não fossem repetidos. No entanto, infelizmente certas falhas ainda continuam a acontecer em pleno século XXI, com o mesmo imediatismo, imposição e desconhecimento dos nossos colonizadores quando aqui aportaram. Dito de outra forma, falo das “verdades” culturais que foram forçosamente impregnadas em nossas terras, como instâncias absolutas a serem seguidas à risca. Dentre elas, a principal foi indubitavelmente a Religião, impelindo uma nova forma de adoração que iria mudar definitivamente o curso da fé em nosso país.
A opressão religiosa sofrida pelos nativos dessa terra, no tão famoso e turbulento período da catequese, parece que não ficou restrito ao Brasil quinhentista daquela época, uma vez que hoje as Religiões continuam com a filosofia catequética de outrora. Na realidade, atualmente há uma bifurcação no conceito de adoração. Se por um lado há um grupo dedicado a angariar fieis comprometidos com as causas divinas e com a responsabilidade de disseminar o amor, a solidariedade e o respeito ao próximo. Características estas típicas dos filhos de Deus. Há, por outro lado, uma parcela de religiosos que pouco se preocupam com tais ideologias. Para estes o que realmente importa é a conquista de mais seguidores, pois eles serão cruciais para a ampliação de doutrinas particulares, promovendo não a fé individual, mas sim os dogmas das Igrejas das quais eles fazem parte. É nessa relação que surgi à diferença cabal entre ter fé e ser seguidor de uma filosofia.
Fé, como se sabe, é algo inabalável, indescritível, incompreensível, indomável. Fenômeno sobrenatural que vai além das perspectivas racionalizadas do homem. Ferramenta única e intransponível de amor. Elo psicodélico entre os mortais e algo superior, divino, eterno e que tem o poder de confortar as nossas angústias, de solucionar os nossos problemas, de afagar a dor que muitas vezes feri as nossas almas. Sentimento de amor que é nos imposto, mas que de certa forma não nos faz mal. Pelo contrário, pois ter fé é acreditar que o homem não é autossuficiente, mas que ele é subordinado a uma força maior, que regi a vida e que decide a todo o momento o curso da vida na terra. E essa constatação é importante porque permite que o ser humano se humanize, fazendo dessa terra um ambiente onde a paz e o amor devem sempre prevalecer.
Diferente dessa fé, a qual todos nós conhecemos e nutrimos dentro de nós de formas distintas, ser seguidor de uma ideologia religiosa é altamente prejudicial. Isto porque, muitas Igrejas que deveriam ser o portal por onde os fieis entrassem em contato com o divino, agem paradoxalmente, invertendo o verdadeiro sentido da fé. Isso acontece muito aqui no Brasil, onde os “detentores da palavra” da moral e dos bons costumes usam seu poder de persuasão para propagar a intolerância, o desrespeito e o desamor entre as pessoas. Mesmo vivendo numa terra onde a diversidade religiosa é base constituinte da cultura, muitas Igrejas esquecem-se dessa pluralidade e lutam entre si para angariar mais seguidores, que lotarão seus templos, ofertando além da fé um pouco, ou até muito, dinheiro. Por isso é que se veem pastores sendo presos por roubo, falcatruas, desvio de dinheiro público no caso de políticos inseridos em bancadas evangélicas. Entretanto, os “fieis” infectados pelo discurso alienativo de algumas instituições religiosas que usam a fé como artificio para conquistar o povo, seguem investindo a sua adoração ao tempo, ao pastor, ao dizimo, mas não a Deus e a filosofia altruísta propagada por ele.
O resultado disso é a proliferação de pensamentos maniqueístas, ou seja, posicionamentos religiosos limitados, impondo para a sociedade o que é certo e errado, o que pode ou não, quem deve permanecer vivendo ou não, e assim por diante. É, na verdade, uma catequese moderna, com os mesmos moldes impositivos daquela época de descobrimento das terras brasileiras. No entanto, as pessoas que usam a fé dessa maneira se esquecem de que, diferente dos povos que habitavam as matas do Brasil, as pessoas de hoje são reflexivas e já utilizam a razão para decidir sobre a sua vida. Ou pelo menos deveriam usá-la. De qualquer forma, a sociedade não pode deixar servir-se como massa de manobra nas mãos de aproveitadores que utilizam erroneamente os ensinamentos de Deus, como verdadeiras armas para segregar seres humanos.
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Visto no Blog Ser Feliz é Ser Livre do amigo Diogo Didier.